Cruzamo-nos... Há longo tempo que tal não sucedia. Talvez porque que eu te evite. Porque tente não me cruzar contigo. Porque quero desesperadamente sair-te do caminho e com isso tirar-te do meu. Mas foi inevitável. Tu no primeiro degrau ao fundo das escadas. Eu lá em cima iniciando a minha descida. Impossível retroceder.
Cruzamo-nos a meio. De fugida, um beijo na face e um "tudo bem?" murmurado. Nenhum de nós sabia bem se havia de continuar a descer ou a subir. Ambos baralhados, confusos, inquietos. É este o efeito que ainda nos provocamos.
Outro dia, o meu passado cruzou-se comigo. E eu quis trazê-lo de volta.

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