
Quem pode dizer
Onde vai a estrada?
Para onde vão os dias?
Só o tempo...
Certas situações simplesmente emperram a vida da gente. Ficam lá, uma pedra no meio do caminho. Por dias, meses, às vezes anos. Pode ser um pedido de demissão que não temos coragem de fazer ou, do lado oposto, a procura interminável por um emprego. Pode ser um pedido de desculpas, ou o grito de liberdade de um relacionamento que não tem mais pretexto para existir... Em todos esses casos, muitas vezes, basta o telefonema certo, a palavra certa e ponto final.
Seria tão simples se soubéssemos fazer o simples. Deixaríamos de complicar boa parte de nossa existência. Com apenas um telefonema resolver aquele relacionamento emperrado na garganta, sair daquele emprego, arranjar outro, pedir aquelas desculpas, dar o grito de liberdade de tantas situações que nos fazem parar, estancar no tempo, no espaço com uma pedra que não conseguimos pular ou correntes que arrastamos e fazem dos nossos passos lentos e árduos...
Claro que tudo depende de um ponto de vista, ver as questões de um prisma diferente para encontrar soluções. Uma vez li que se a questão é o ponto de vista, tudo depende da lente e não do contato... Concordo. As situações em que quis ter as rédeas do meu destino foram as que mais errei... Abandonar-me e me entregar ao rio da vida muitas vezes me trouxe os benefícios e as soluções que precisava, sem esforços, sem telefonemas, sem palavras articuladas.
Tudo isso me leva a crer que o controle que pretendemos exercer sobre as situações muitas vezes é que cria as pedras e que os obstáculos são mais imaginários do que propriamente uma realidade. O contato torna-se bem menos importante. E conseguimos perceber que o problema realmente está no foco da lente.
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