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08 novembro, 2008
A ópera e minha vida
Alguém escuta ópera no prédio da frente. E eu também. A música tem um tom de tristeza, mas também uma energia, uma força, surpreendentes. Há momentos em que a ouço bem baixinha, são os de suavidade. Intensidade em todos esses momentos. Eu devia cantar ópera, ou lutar boxe. Uma das duas coisas para extravasar esse vulcão que trago dentro de mim. Acabo sendo tão desastrada com a vida que as portas se fecham. Aí eu entro em paranóia que tenho que abrir tudo na porrada. E é então que cria-se o círculo que leva a novos desastres. Uma vez eu disse a uma pessoa que ela era desastrada, emocionalmente desastrada. Bom... descobri que a desastrada sou eu. Será? Já não sei, não sei mais o que me incomoda, o que eu gosto, o que eu quero, o que eu sinto, o que eu penso, o que eu vejo. Percebo apenas, levemente, que algo delicado em mim se quebrou. E foram tantos os remendos, tanta cola, cuspe, atadura, reposição de pecinhas que se esmigalharam que o que era delicado se transformou. Essa mesma pessoa, aquela desastrada, dizia-me que eu tinha ternura no olhar. Isso não achei desastre não, mas... será? Quando olho em meus olhos pelo espelho vejo tristeza e desesperança. Vejo mágoas que não consigo dissolver nem em lágrimas. vejo cansaço e tento ver aquele delicado lá que ficou pra trás. Será que isso é crescer? É perder o encanto? Ele vai casar. Aquela pessoa. Eu finjo que não ligo, sabe?! Na verdade eu não ligo, às vezes sim. Ligo quando sinto que a vida continua tão fácil para algumas pessoas, enquanto para mim é como a ópera. Longa, pungente, duradoura, sofrida ou suave, mas sempre de uma intensidade de quebrar copos. Que desastrada que sou.
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