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09 fevereiro, 2009

delicado essencial

- Eu quebrei.

- O quê?

- Em quantos pedaços consegui. A marteladas. (...) Não lembra?

- Não.

(Segredos só são secretos quando guardados por apenas uma pessoa. Mais de uma pessoa deixa de ser segredo. O segredo se quebra. Nunca tivera um segredo. E o que perseguia, talvez, é aquele segredo que de tão secreto não se sabe que tem.)

(...)

Nada ajudava. E tudo, ao mesmo tempo, trazia a confiança e o acolhimento necessários para continuar o processo. Enquanto fazia a leitura, lembrava da fotografia; Será que algum dia saberia o destino daquela fotografia? E, no momento em que se perguntava sobre a imagem, lembrara de outra dada a ela. Não queria mais falar sobre o assunto.

(...)

E se a existência durasse mais que alguns minutos? Ainda não era habitável. Nem terra fértil, nem oceano. Nem vegetação ou deserto. Como uma existência a parte que não pode ser alterada. Foi dormir ao som do silêncio. O silêncio. Apenas ele.

(...)

Eis que ele volta a rondar. O delicado. O que antes era tão essencial – ainda é – ganhou uma aura de mistério, de confusão. Inatingível. O assustador delicado. Aquele que despertou o caos. O que havia de mais puro. Saudade do delicado. Do forte. Em estado bruto: o delicado do ser.

(...)

- Você quebrou.

- O quê?

- Não sabe?

- Não.




("... existe a quem falte o delicado essencial.")

2 comentários:

luana felicia disse...

o delicado não se quebra, inatingível, mas o fraco se desfaz...
um segredo pode ser compartilhado, porque as vezes fica entalado e nos falta a respiração. por compartilhar é que se faz o mistério. a existência discreta pode durar anos e anos, porém com conteúdo infimo.
eu ouvi um estalido, será que não foi o silêncio que se quebrou?


*
(gente, eu to pirando nessa mandala aqui do lado... hehe)

*
beijos

luana felicia disse...

ehhhh adorei, obrigadaaa. =*