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17 março, 2009

Objetos

Era apenas uma calça. Mas você comprou há anos e adorou! Ou uma blusa, uma saia, uma gravata ou – para os mais “mudernos” – um IPod, um celular ou até um carro! Sabe? Tenho certeza que você vê em algum desses objetos um que tenha “marcado” a sua vida. Pode ter sido o primeiro, o mais valioso, o presenteado em uma ocasião “especial”, enfim. Mas, vamos à calça. Você se identifica com ela, ela traduz sua personalidade, não tem nada a ver com a moda. Pagou uma ninharia ou uma fortuna, não importa. Para você ela não tem preço. Aí você vai com ela para as melhores festas, para os encontros mais importantes, no natal com a família. Dos casamentos aos cinemas lá está você com sua fantástica calça que te transforma no mais bonito, no mais original, o mais vanguarda. O Mais. Ou A Mais. Bom, chega um dia que você percebe que a tal calça não é mais a mesma, está mais desbotada. Aí você usa menos para gastar menos também. Naqueles encontros com os amigos mais próximos, afinal ela também está mais macia, mais confortável. Sabe? Aí um dia, aparece um furo. Não que você ligue para isso, mas ele deixa tua bunda à mostra. Bom. Você tenta não ligar muito pra ele, mas esconde com uma camisa mais comprida, ou pede pra alguém remendar. Mas, poxa, tecido gasta mesmo e o furo volta, acompanhado de outros e chega um dia que nem o zíper fecha mais, porque você também engordou um pouquinho mais para caber direito naquela calça. E, com dor no coração, você pensa em um jeito de ainda ficar com a peça. Alguns cortam, estilizam, transformam, sei lá. Mas, definitivamente não dá mais para usar. É então que você percebe que os destinos possíveis para a peça são: pano de chão ou o lixo. Afinal, era apenas uma calça. Pois é.

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