Ao ligar a TV agora a pouco dei de cara com o Chico na Cultura, no Programa Vox Populi de 1979. Ele e seus inebriantes olhos de ardósia, como foram definidos pelo dops em sua prisão durante a ditadura. Tá na ficha dele. Cor dos olhos: ardósia. O ano do programa foi pós-anistia. Tempos tão difíceis para tantos dos artistas brasileiros. Para todos os cidadãos. E pensar que o Chico poderia ter sido meu pai. Reza a lenda que ele paquerou minha mãe no bonde uma vez enquanto ela não tirava os olhos do livro do Pessoa que trazia consigo, envergonhada com a insistência daqueles olhos sobre ela. Ah, se fosse eu.... Às vezes acho que nasci em época errada. E o Chico, diante da pergunta do João Cabral sobre qual verso que ele não compôs, mas gostaria de ter escrito, respondeu - com sua característica timidez e humildade: Eu gosto de "a deselegância discreta de suas meninas", do Caetano. Ah! Chico, te amo mais! Em outro momento: não gravo as minhas músicas porque ainda não fui aceito como cantor. E ainda: o Chico, o artista compositor, ele é homossexual, ele é operário, ele é marginal e ele é mulher. Grande Chico Buarque! Por isso e por tanto(s), é. E sempre será!
4 comentários:
Gosto do Chico, mas sou mais o Milton, acho inclusive que ele e Guimarães Rosa foram as melhores coisas que os mineiros pra gente, só depois dos dois que vem o pão de queijo.
pensei chico buarque dia desses, amo a poesia, a sua articulação e toda a trajetória que nos faz admirá-lo e nos convoca a rimar juntinho dele. e se tu fesses filha de chico com tua mãe, teus olhos teriam a cor-do-dia refletidos sobre a cor-do-mar. imagino.
e para falar sobre essa nossa realidade amorfa é preciso fazer poesia, outra vez... sim, acho que vc nasceu em tempo certo.
a Elis dizia que se Deus tivesse voz, seria a do Milton Nascimento. Mas tenho cá pra mim que se Ele tivesse olhos, seriam os do Chico Buarque. Ô Luana... é que meu tempo é quando.
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