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01 novembro, 2007

Sampa Cara e Coragem

Sobre a estréia do filme "A Via Láctea".

"Aquele corpo-a-corpo com a cidade, feito pela moto ou pelas caminhadas, foi levado para a tela, contando o prazer e a dor de morar em São Paulo." Gilberto Dimenstein - Folha de S. Paulo - 31/10/2007

"A Via Láctea", com estréia amanhã (2/11) nos cinemas, transforma a cidade de São Paulo em um dos personagens de uma tumultuada história de amor. Na matéria de Dimenstein, Lina Chamie, diretora do filme, refere-se a São Paulo como um útero e um espaço de impossibilidades. Ao ler a matéria, lembrei-me de um projeto de telas e poesias que expus no metrô Vila Madalena há um ano e meio. O tema de uma série de três telas foi justamente a cidade de São Paulo e suas dicotomias. O texto que segue compunha essa homenagem.

SAMPA CARA E CORAGEM

Cidade de contrastes étnicos, financeiros, culturais..., São Paulo é marcada pelas diferenças. Seus prédios, suas atividades, seu cotidiano e moradores: pluralidade. Cidade de todas as raças, povos, de todas as cores... informação, dinheiro, emprego, trabalho. Desemprego, desigualdade, marginalidade... divergências! Cidade que pulsa em ritmo frenético e acelerado. Que restringe aos olhos, preocupados e ansiosos em acompanhá-la, momentos contemplativos, de descanso, de encontros e de concordância entre tantas informações.

São Paulo abriga centenas de histórias de diversos pontos do País, dos mais diferentes sonhos. Sucessos e fracassos. Vitórias e derrotas de quem nunca cansa de lutar. Lutas e batalhas de quem nunca cessa sua busca. São Paulo inspira e respira garra e guarda também os tesouros dos corações mais esquecidos. Histórias de personagens que se excluem - ou são excluídos - da corrida cotidiana de São Paulo pela eterna modernidade e enriquecem seu caminho com um outro tipo de olhar, diferente da corrida exclusiva pela grana, pela fama, pelo poder. Carregados pela sua própria alma, ilustram em poesias, em projetos, em arte, em fotografia, em resgates, as flores, as raízes, as nascentes e os vales da poderosa gigante de concreto.

Tesouros escondidos apenas a olhos que não se permitem olhar, pois estão em todas as suas esquinas, em todas as ruas, em todos os prédios. Provavelmente, em nossa pressa cotidiana, esbarremos em muitos deles diariamente. Mas, a única atenção que nos permitem, é um pedido de desculpas, um obrigado ou um xingamento. Ou ainda, o medo. Com os vidros cerrados e olhos no farol que não abriu, no ônibus que ainda não chegou, no horário a cumprir, corremos, esperamos... Pela oportunidade de contemplar tudo que está a nossa volta. O feio e o bonito, o bom e o mau, a guerra e a paz. Tudo isso refletido em tantos rostos, tantos gestos e tantas histórias que habitam também o mais profundo de cada um de nós.

Um comentário:

Pedro Ivo disse...

Hmn... Li e vi muito a respeito do filme. Como paulistano não legítimo e verdadeiro amante da cidade, estou ancioso pra ver.