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23 fevereiro, 2009

As faces do Poeta


Vinicius de Moraes, o poeta da paixão, foi também o poeta do desespero. Sob a máscara do artista feliz, em eterno galanteio com a vida, escondeu-se, durante 67 anos, um homem tumultuado, para quem o amor foi não só alegria, mas fardo, e a vida, uma sucessão de decepções. Poemas Esparsos, o mais recente volume da coleção, apresenta, em textos inéditos em livro, outros elementos desse Vinicius distante dos temas solares. Escritos entre os anos 30 e 70, os poemas compreendem todas as "fases" do poeta — desde a da juventude, em que ele era influenciado por um simbolismo de extração européia, marcada por um catolicismo atormentado, até a posterior, em que a sua poesia ganhou mais leveza, tornou-se mais "modernista". Se as diferenças entre as duas fases são evidentes e inegáveis, a divisão rígida entre ambas acabou ocultando a persistência dos elementos sombrios da primeira na segunda, num poeta que, além de tudo, acabou sendo eclipsado pelo letrista. Trabalho, aliás, que não pode ser confundido com sua obra poética — outro equívoco comum.

O LIVRO: Poemas Esparsos, de Vinicius de Moraes. Seleção e organização de Eucanaã Ferraz. Companhia das Letras, 256 págs., R$ 42.
Fonte: Revista Bravo!


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