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19 abril, 2009

Sagrado

01/07/2007

Muito pior que ver desmoronar um castelo é a quebra de um santuário. Quando as divindades espatifam no chão. Uma a uma em suas vestes sagradas sangradas pelo estúpido choque. Pelo desastrado contato do toque humano. Acredito ser assim que surgem as lágrimas de sangue nas imagens dos santos. O pressentimento da queda. Plantadas em alguma alma, são de repente arrancada pelas raízes. A sangue frio. A quebra de santuários tira o chão. É a descrença na fé. As gotas do sangue sagrado latejam na alma. As feridas que não se fecham e não se curam. Não nesta existência. Pretensão humana tocar os deuses e aspirar seu ar. Não conseguimos sustentar-nos em tal altura. Que aos nossos pulmões é tão inebriante. Descemos. Em quedas reticentes e renitentes. Assim dá-se o desastre de um santuário. Enxergar que no humano, nem tudo que habita é sagrado, nem por amor. Sentir o real sentido do profano dentro de cada um de nós.




O santuário quebrou
Foi anjo pra tudo que é lado
Socorrer o desastre em alvoroço
Do santuário espatifado
O sagrado sangrado no chão
Chorou sangue
Gota desse sangue n’alma
O ar que respiram os deuses
Não é para humanos
Ar divino que não alcançamos
Quando alguém arranca
O sagrado pela raiz
Do sangue quente
A sangue frio
Dói.

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