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08 maio, 2011

deselegancia discreta sumiu




Há cerca de um mês, fechei o blog. Não deletei porque há textos aqui que nem tenho mais em meus arquivos. Tudo bem, confesso que também não queria perder o registro de cerca de cinco anos que contam um pouco, abstratamente, momentos que não preciso mais recordar, mas que gosto de ter registrados - justamente para não precisar recordar. Pouco dizem dos outros, mesmo porque, as experiências são individuais, ainda que se viva a mesma história. Isso hoje eu sei.

O fato é que nesse meio tempo, ainda acessava o blog, que ficou restrito à minha visualização somente. Geralmente para resgatar algum trecho de texto, alguma linha que me fosse necessária por ser exata para algum contexto atual. Na semana passada, porém, verifiquei que o domínio do blog foi de alguma forma transferido para outra pessoa. Não é mais aqui que ele cabe. Um espanto inicial e uma tendência a tentar um resgate foi a reação imediata. Esperei passar porque essas sensações súbitas nunca são muito confiáveis e nos fazem agir por um impulso cego que nem sempre nos traz o resultado mais adequado. Isso hoje eu sei.

Alguns dias depois da descoberta e do impulso inicial acalmado, percebi que o acaso me presenteou com uma libertação. O momento que vivo nada mais tem a ver com os contextos anteriores. Tenho passado por um processo de mudança lento que culminou em uma ruptura com minha realidade regressa justamente na semana passada, quando fiz a descoberta em relação ao blog. Em uma semana, arrumei dois empregos (optando por um deles, é claro), renovei meu contrato residencial, retomei um laço afetivo importante e me pareceu que vivi cinco anos em sete dias. Claro que não é isso, eu sei.

Transformações conscientes vem me acompanhando há alguns anos, mas nada praticamente tinha efetivamente mudado. Há dois anos, quando já me sentia nesse processo, me determinei que aquilo que dependesse somente de mim, eu iria fazer. Foi um caminho longo para cuidar de estragos enraizados em minhas atitudes e comportamentos cotidianos - inclusive para admití-los como de minha responsabilidade. Com isso, mudei alimentação, mudei meu corpo, meus cabelos, meu estilo de vida, minha conduta, mudei de amizades e abandonei discursos, gostei do silêncio, apaziguei-me com minhas fragilidades, aceitei meus limites... enfim, trabalho árduo, não remunerado (financeiramente) e, muitas vezes não percebido por quem está do lado de fora. O caminho é, na maioria das vezes, sozinho. Isso hoje eu sei.

Por isso tudo compreendi que a semana passada foi somente uma etapa final desse ciclo, algo que já estava por vir, o acaso dos encontros marcados. Grata satisfação senti por encerrar esse árduo ciclo. Com ele se foi uma identidade que não mais me pertence, por não mais sê-la. Com alegria e gratidão, dela me despeço. Sem dor, sem culpa, reconhecendo o transformar constante da vida. Sabendo também que um novo caminho me espera e que ele também passará. Aliás, passa. A cada dia que nasce, a cada passo que dou, o caminho passa. Isso hoje eu sei.

E com os pés fincados no presente, sigo. Grata por cada hora em que um novo passo me traz a uma nova possibilidade. Consciente da importância de que cada um desses passos são os que me levarâo aos próximos caminhos. Responsável pelas minhas escolhas. Só isso já me toma atenção suficiente para atender às necessidades do tempo presente. Olho pra frente, portanto, com o carinho que meu presente merece, a certeza de que o imprevisível sempre me aguarda e em paz com o que já se foi. Consciente de que, independente de tudo isso, do amanhã eu nada sei. E essa é uma das alegrias que hoje eu posso ter.

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