Seria interessante se alguns de nossos sentimentos fossem personificados, externos, materializados. Os quais bateriam à porta e caberia a nós decidir quem iria atravessá-la. O Amor, por exemplo, sempre bem-vindo para longas conversas. Inebriante mas terno, envolvente e acolhedor. Conversaríamos sobre García Marquez, Borges, Hemingway e, inevitavelmente, lembraríamos da amiga Solidão, a qual tentamos muitas vezes - sem êxito - afastar de nossas vidas.
E a raiva, então? Ah, que maravilha seria se ela tivesse que bater à porta antes de entrar desvairada e impulsiva, causando seus desastres:
- Quem é? (perguntaríamos)
- A RAIVA! (gritaria ela)
- Vai procurar sua turma! Me deixa em paz que a alegria está aqui hj!
E de tanto bater á porta e não ser atendida, ela simplesmente desapareceria, encontraria alento com o cansaço e decidiria fazer um aconselhamento para encontrar respostas à sua impetuosidade. Veria que o grande problema está em assuntos mal resolvidos com a Agressividade e o Medo, seus pais, que junto à sua irmã, Insegurança, formavam uma família bem complicadinha.
E um dia, ela voltaria a bater à nossa porta, depois de muitos anos.
- Quem é? (perguntaríamos)
- A Raiva, voltei para lhe apresentar meu marido, o Humor.
E abriríamos a porta no dia em que a Curiosidade estivesse em casa para saber da tal novidade. Ela nos contaria que Humor mudou sua vida, tudo ficou mais lúdico e leve. Que fez amizade com Ternura e tenta ouvir mais as palavras de uma sábia senhora que conheceu, chamada Paciência. E que estava até pensando em mudar de nome porque foi à numeróloga Compreensão que lhe aconselhou chamar-se Relva. Assim, Raiva deixaria de ser natureza humana para ser somente natureza.
O ciúme é outro que antes de bater à porta de qualquer pessoa, deveria ser anunciado em alto e bom som. Isso porque ele vem cheio de disfarces. Vem com jeito de Amor, vem com cara de Amizade, aparece cheio de Saudade, mas quando se revela traz todos os seus inseparáveis amigos: a Vingança, o Orgulho e o Egoísmo. E todos eles brincam com os outros sentimentos, destróem relações e atrapalham o amadurecimento, deixando verdes (ou apodrecendo) os frutos da Felicidade. E essa turma é tão unida que não há como regenerá-los. Onde está um pode procurar que vai encontrar os outros.
Mas, mais uma vez o Amor bateria à porta. E como é bom conversar com ele! Falaríamos sobre Picasso, Rodin e Camille Claudel e lembraríamos de outra amiga, a Loucura, que ele confessa ter como companheira em algumas ocasiões. Conversaríamos sobre Winwender, Antonioni, Fellini. A conversa se estenderia para Drummond, Vinícius, Neruda. E ele recordaria de outra grande amiga: a Paixão, a qual ele revela ser a mais atraente de suas companhias.
Porém, conta-nos ele, a Paixão é um cigana que lê a sorte de um futuro próspero na mão de seus eleitos para depois, nômade como seu povo, ganhar o mundo em busca de outros rumos. E neste momento, em sussurro ele nos diz: "Daí em diante, eu continuo somente com aqueles que entendem não só do verbo Amar, mas o significado também do Amor personificado."
E a raiva, então? Ah, que maravilha seria se ela tivesse que bater à porta antes de entrar desvairada e impulsiva, causando seus desastres:
- Quem é? (perguntaríamos)
- A RAIVA! (gritaria ela)
- Vai procurar sua turma! Me deixa em paz que a alegria está aqui hj!
E de tanto bater á porta e não ser atendida, ela simplesmente desapareceria, encontraria alento com o cansaço e decidiria fazer um aconselhamento para encontrar respostas à sua impetuosidade. Veria que o grande problema está em assuntos mal resolvidos com a Agressividade e o Medo, seus pais, que junto à sua irmã, Insegurança, formavam uma família bem complicadinha.
E um dia, ela voltaria a bater à nossa porta, depois de muitos anos.
- Quem é? (perguntaríamos)
- A Raiva, voltei para lhe apresentar meu marido, o Humor.
E abriríamos a porta no dia em que a Curiosidade estivesse em casa para saber da tal novidade. Ela nos contaria que Humor mudou sua vida, tudo ficou mais lúdico e leve. Que fez amizade com Ternura e tenta ouvir mais as palavras de uma sábia senhora que conheceu, chamada Paciência. E que estava até pensando em mudar de nome porque foi à numeróloga Compreensão que lhe aconselhou chamar-se Relva. Assim, Raiva deixaria de ser natureza humana para ser somente natureza.
O ciúme é outro que antes de bater à porta de qualquer pessoa, deveria ser anunciado em alto e bom som. Isso porque ele vem cheio de disfarces. Vem com jeito de Amor, vem com cara de Amizade, aparece cheio de Saudade, mas quando se revela traz todos os seus inseparáveis amigos: a Vingança, o Orgulho e o Egoísmo. E todos eles brincam com os outros sentimentos, destróem relações e atrapalham o amadurecimento, deixando verdes (ou apodrecendo) os frutos da Felicidade. E essa turma é tão unida que não há como regenerá-los. Onde está um pode procurar que vai encontrar os outros.
Mas, mais uma vez o Amor bateria à porta. E como é bom conversar com ele! Falaríamos sobre Picasso, Rodin e Camille Claudel e lembraríamos de outra amiga, a Loucura, que ele confessa ter como companheira em algumas ocasiões. Conversaríamos sobre Winwender, Antonioni, Fellini. A conversa se estenderia para Drummond, Vinícius, Neruda. E ele recordaria de outra grande amiga: a Paixão, a qual ele revela ser a mais atraente de suas companhias.
Porém, conta-nos ele, a Paixão é um cigana que lê a sorte de um futuro próspero na mão de seus eleitos para depois, nômade como seu povo, ganhar o mundo em busca de outros rumos. E neste momento, em sussurro ele nos diz: "Daí em diante, eu continuo somente com aqueles que entendem não só do verbo Amar, mas o significado também do Amor personificado."
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