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05 novembro, 2011

Encanto indiferente


Multiplicar poeira de estrela num esfregar de olhos a corar face quente-rubi. Rubor de acordar desarrumada. Café, pé, pão, chão e assoalho. Passos que rearranjam um caminho coral e alga marinha. Quente, frio. Quente, frio. Carmim e azul. Sangue-ar. Rumo de alvoroços silenciosos, ruidosos sussurros, palavras amenas e não-respostas que (às vezes) perguntam. [Es]preguiça num gemido-suspiro que arranha a garganta e tateia o ar. O esfregar de olhos espalha poeira estrela dourada pelo vento-janelaberta. Coração? Traz no peito-pulso. Baixinho. O suficiente para ouvir que no pulso-veia corre canção, escritura, liturgia. Desenhos com poeira de estrelas em pergaminho. Corre sangue-rubi da face quente-rubra. É tempo de frio. Azul e Carmim. Rosto corado revela quente-dentro. Amanheceu. (www.deseleganciadiscreta.com)

Eu não sou um intelectual, escrevo com o corpo. E o que escrevo é uma névoa úmida. As palavras são sons transfundidos de sombras que se entrecruzam desiguais, estalactites, renda, música transfigurada de órgão. (C.L.)

Rejubilam-se nossas coronárias. Rejubilo-me.
Na noite navegada, e rio, rio, e remendo.
Meu casaco rosso tecido de açucena.
Se dedutiva e líquida, a Vida é plena. (H.H.)
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*É bom deixar um pouco de ternura 
e encanto indiferente de herança,
em cada lugar. (C.M.)

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