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25 julho, 2013

No princípio.


Foi depois de muito tempo. Muito para os padrões de uma realidade orientada por ponteiros de relógios, que são como marca-passo em coração doente. Automaticamente batendo, batendo, batendo, no compasso marcado do instrumento cirúrgico. É quando entra a vida e diz que quer mais. E estoura os ponteiros, os pontos do seu peito, te abre deliciosamente à força e entra, inunda vísceras, revoluciona de mar seu sangue nas veias. Não há tempo para revoluções. Não há tempo certo, entenda. Ela acontece quando quer, quando você quer, quando você não quer, sem querer, com propósito, por acaso, de surpresa, de forma surpreendente, escandalosamente ou silenciosa. O silêncio também é uma revolução. Ele permeia cada respiração em meio às sílabas que você pronuncia. Ele é o quase e é ele mesmo, em si. Ele está mesmo onde não se quer e, se querendo, ele engrandece mais que qualquer palavra. Ele é teu amigo. Ele está 'a favor’ neste mar de letras que se criam e se formam desde sua mente, em seus sonhos e corações, e inconscientes pensamentos. Tudo isso aprendido. Apreendido. Como os ponteiros do relógio. O silêncio, não. O silêncio é o antes de (mesmo que depois). Assim como o tempo. No princípio, era o silêncio.


C.O.R. [25.07]

2 comentários:

Anônimo disse...

Maravilhoso, profundo, verdadeiro! Amei!

bjs
Bella

Clarissa disse...

<3

Obrigada pelo "to be", Bella! :)