Foi depois de muito tempo. Muito para os padrões de uma
realidade orientada por ponteiros de relógios, que são como marca-passo em coração doente. Automaticamente
batendo, batendo, batendo, no compasso marcado do instrumento cirúrgico. É
quando entra a vida e diz que quer mais. E estoura os ponteiros, os pontos do
seu peito, te abre deliciosamente à força e entra, inunda vísceras, revoluciona
de mar seu sangue nas veias. Não há tempo para revoluções. Não há tempo certo, entenda.
Ela acontece quando quer, quando você quer, quando você não quer, sem querer,
com propósito, por acaso, de surpresa, de forma surpreendente, escandalosamente
ou silenciosa. O silêncio também é uma revolução. Ele permeia cada
respiração em meio às sílabas que você pronuncia. Ele é o quase e é ele mesmo, em si. Ele está mesmo onde não se quer e, se querendo, ele engrandece
mais que qualquer palavra. Ele é teu amigo. Ele está 'a favor’ neste mar de
letras que se criam e se formam desde sua mente, em seus sonhos e corações, e
inconscientes pensamentos. Tudo isso aprendido. Apreendido. Como os
ponteiros do relógio. O silêncio, não. O silêncio é o antes de (mesmo que depois). Assim como o tempo. No
princípio, era o silêncio.
C.O.R. [25.07]
2 comentários:
Maravilhoso, profundo, verdadeiro! Amei!
bjs
Bella
<3
Obrigada pelo "to be", Bella! :)
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