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28 julho, 2008

Tempo da ingenuidade

Os textos que coloco neste post foram escritos por mim há uns cinco anos ou mais. É um tempo permeado por sonhos e fantasias. Por poesia e docilidade. Um tempo de ingenuidade, em que via cores na mais escura dor. Um tempo em que via cores que não existem. Tempo de Éter. Sei que o saudosismo que transparece aqui pode ser tão irreal quanto é agora esse passado tão longe de mim. Mas me impressiona como eu escrevia tanto mais. E o post vai ficar propositadamente extenso. Confesso que enrijeci. Ainda estou descobrindo o que há de bom nisso.

Às vezes menina
Outras mulher
Às vezes gigante
em outras pequenina
Às vezes fera, felina
Em outras passarinha
Valente e metida
Em outras franzina
Sou isso ou aquilo e muito mais

"Dentro de nosotros hay algo que no tiene nombre, esa cosa es lo que somos."
Ensayo sobre la ceguera. José Saramago.
Jornalista e poetisa
Abstrata ou concreta
Absoluta ou relativa
Exposta ou secreta
Com a verdade ou a mentira
Franca e direta
Confusa ou objetiva
Se sonolenta ou desperta

Sou sonhos e encantos
Dilemas e prantos...
Inteira em alguns momentos
Em outros, fragmentos
Assim me reinvento
Se caio, levanto
Novamente me oriento
Não me defino, expando
Em constante movimento!

Paradoxa e desconexa
Côncava e convexa
Interligada por invisíveis fios
A tudo que meu caminho atravessa

Sou química e matemática
(Instinto e precisão)
Sou gramática e dialética
Bem elaborada e complexa
SinestesiaTua mão em meu corpo, teu rosto e teu jeito
Teu gosto teu cheiro, um beijo em meu seio
Tua cor mais profunda, na íris que brilha
Um olhar quando acorda, com jeito moleque
Tua face serena, tua pele morena
Sobrancelhas e cílios e boca molhada
Sorriso de lado e suspiro profundo
Preguiça e o mundo, lá fora esquecido
Aqui dentro aquecida, enlaçada em teus braços
Pernas trançadas, lençóis confundidos
Falta de ar, vidraça embaçada
Em sonhos e encantos e densos gemidos
Tenho-te agora, em mente e palavras
Neste momento, eternizado...
Sonho Bom
Foi como num sonho bom
Você surgiu na minha frente
E tomou-me como um vulcão
A sensação de um fogo ardente

Sempre juntos seguimos desde então
Corpos, almas, jogos, mentes
Não soltamos mais as mãos
Até que nossas vidas tomaram rumos diferentes...

Queria voltar ao tempo de outrora
Queria novamente abrir a caixa de Pandora
Reencontrar em teu colo o calor que em mim aflora
Reviver no teu ser a antiga aurora

Aura minha me abandona, escurece
Sem tua presença nada acompanha minha vida
Minha pele perde o viço, envelhece
Meu coração vira chaga, ferida

Mas ressurge do nada e pulsa forte a chaga
E explode em sangue e, gotejante, revigora
Volta de novo minha aurora
Cresce de volta minha veia pulsante

Sonho bom torna a ouvir um som vibrante
Música que faz o meu ser cantar alto
Salto e vejo a vida como a um palco
Respiro o ar puro do mais doce instante

Instante em que não existe mais nada
A não ser a única estrada
A que leva para a única chegada
Em que dois amantes apaixonados
Encontram-se no mesmo lado

E juntos seguimos o mesmo caminho
Encontrados nos mesmos corpos
Sorvendo vinho do mesmo copo
Embriagados dos mesmos goles
Sufocados até o último toque

E assim quero vê-lo mudo
Quando me vês e me sentes
Quando o toque é tudo
E nossas bocas dementes
Se envolvem novamente em beijos ardentes
Quero você e mais nada
Ao longo desta jornada
Entre noites enluaradas
Dois perdidos na estrada

Pois para mim você é tudo
Corpo, alma, mente, pele
Quero poder te ver entregue
Quero traçar o mesmo rumo

Para que me envolvas quando choro
Para que me aqueças enquanto durmo
Que me embale durante madrugadas
E nas noites em que estiveres ausente
Acordarei sozinha com a face gotejada
O passado será meu presente
E buscarei teu colo novamente, mais nada
Intersecção de Almas
Entre encontros e bebedeiras
Entre chuvas e baladas
Fui te vendo noites inteiras
Fui te encontrando pelas estradas
Quando a ponto da chegada
De um encontro verdadeiro
Descruzamos os caminhos
Por medos tão mesquinhos

Seguimos vias paralelas
Sempre a espera de um retorno
Na cabeça o arrependimento
No coração o eterno sonho

Arrependimento revolucionado
Por um encontro inesperado
Que coloca de volta o passado
Em um presente escancarado
De dois dementes apaixonados
Que entre a lua e a rua
Entre os carros e os postes
Carregam suas almas nuas
Não há como fugir da sorte

E envolvidos novamente
entre beijos adocicados
esquecem-se por momentos
do antigo medo

Pela paixão que remexe
As vísceras e a alma
De quem encontra no outro um abrigo
De quem sente no outro a calma

E voltam a sonhar os sonhos reprimidos
Deixando o medo de ser amado
Por cair no ardiloso e sofrido
Desespero de não querer ver cultivado
O amor pelo ser cultuado
Eis que surge como recado
Que mais uma vez na rua em lua branda
Deixar-se entregar a esta serena ciranda
E dançar esta valsa de amigos enamorados
É mais virtuoso que qualquer abrigo
É menos perigoso que qualquer cercado

Dos corações que se tocam
Das almas que se vêem além
Dos beijos que sempre existiram
E Sempre existirão
É a certeza do eterno retorno
Amor que consagra o coração
E vão de mãos dadas para o nada
De mãos dadas com os pés no chão
Que se apresentam mesmo que por diferentes estradas
Sentindo as palmas do outro nas mãos

Mas chega uma hora
Que a ausência dos corpos novamente vigora
Maldita seja a matéria
A célula, o tato, o toque
Que torna necessária a presença
Da pessoa amada ao lado
Que torna a saudade e a ausência
Desespero e um eterno chamado
Bendito o reencontro
E todos aqueles tremores
Quando sentimos o outro
Disfarçando no corpo os ardores
Tudo está retomado
Matéria. Etéreo é passado
Voltamos às bebedeiras noturnas
Voltamos ao mundano tratado
Dos encontros apaixonados
Dos beijos escancarados

Quando novamente a ausência retorna
E é a espera o tormento
O tormento é o passado
Maldita seja a lembrança
Maldita a saudade, a esperança
Desgarro do ninho meu laço da morte
Derramo o sangue que antes era vinho
Que embriagava nossas noites de amores sedentas
Que agora colocaram em minha vida tormentas
Sangue quente que corre meu corpo
Do teu ainda se alimenta
Para na veia continuar vibrando
Para meu coração continuar pulsando...

Mas vejo novamente você de volta sorrindo
E sinto você de volta abrindo
A porta da vida e fechando o que outrora era chaga, ferida
Amor nunca morre, renasce , resplandece
Sobrevive, aquece e se alimenta da luz que circula
E renova no corpo e no sangue as células todos os dias
Sobrevive sempre da eterna alegria
Do eterno retorno e da intersecção das almas
Que é fato, estarão sempre juntas
Escritas nas palmas

Amor é sempre reticências
Ponto e vírgula
Dois pontos
Mas nunca ponto final
É sempre amor
Sempre fato nunca fatal...
LIBERTAÇÃOPerdida entre penhascos
Alimentando suores noturnos
Despenquei para novos mundos
Encorajou-me um novo ser

Rodeada por estranhas criaturas
Com as entranhas tesas, duras
Percebi a morte a rondar-me
Estaria morta de verdade?

Arranquei as pedras com vigor
Que atrapalhavam meus movimentos
Senti novamente o ar
A encher os pulmões com os ventos

Que batiam em minha face
Cravada de feridas rotas
Abertas pela queda bruta
Doídas com sangue em gotas

Estava então viva
Em outro nível de existência
Mais livre do que antes
Mais pura, mais essência

Meus pés colocaram-se retos
No chão rochoso e frio
Senti-os leves e macios
Como se voar fosse certo

E voar consegui
Alto, bem alto e forte
Pude ver que não era morte
Era vida, liberdade afinal
Que finalmente tinha alcançado

E Em um rasante desbravado
Colhi flores do penhasco
De onde havia pulado

Nesse momento enxerguei
Meu olhar arregalado
E as lágrimas que
do meu parco mundo
Havia derramado
FEIJÃO
Dê-me Feijão, forte alimento
E Arroz, um ótimo acompanhamento
Batata e bife, formam o Prato Feito
Ninguém pode colocar defeito
Acrescente toucinho, costelinha de porco
Frango, e o que mais aprouver
Para gringo pode parecer piada
Mas terá, assim, a famosa feijoada
Feijão preto, marrom, ou branco
Quentinho, cozido, ou até em salada
Feijão é o sustento de um povo que agüenta
Neste louco país qualquer barra
É o prato principal do brasileiro
Mata a fome daqueles que pouco têm
Amado e adorado no País inteiro
É o pretinho que alimenta e faz bem!

2 comentários:

luana felicia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
luana felicia disse...

dá pra perceber a leveza e despretensão dessa tua fase entre descoberta, paixão e tormenta. adorei!